sexta-feira, 31 de julho de 2009

Um bom passatempo para dias molhados



Aproveitar que o guarda-chuva continua quebrado para cantar e dançar na chuva:




O único problema é que em São Paulo as águas que caem do céu e saem dos bueiros não são tão puras quanto as águas da chuva de Hollywood do começo dos anos 50 (ops, será que eram limpinhas mesmo?).

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Crônica de uma morte anunciada - episódio 1: o guarda-chuva



Dia desses, saquei meu guarda-chuva da bolsa e dei com os burros n’água: ele havia empacado. O cabo de baixo estava preso ao de cima e o troço não abria nem com a ajuda de São Pedro.
Chuá, chuá, chuá – chovia sem parar. E então, num ou-tudo-ou-nada - iaaaá! – desemperrei o bendito guarda-chuva. Que abriu na mão direita, cujo cabo se soltou da esquerda, voando e rolando pela sarjeta. Pronto: eu tinha um guarda-chuva armado, mas me faltava o cabo. E além de tudo agora já era tarde: o cabo caiu num bueiro e havia parado de chover.
Cheguei em casa e percebi que as varetas do guarda-chuva estavam intactas e que o tecido sobre a armação era discreto; enfim, valia a pena conservá-lo.
Então, convoquei o Dr. Frankenstein Brioche para me auxiliar na reconstrução do objeto. Ele prontamente pegou a caixa de ferramentas, outras tantas caixas com pedaços de coisas que um dia foram coisas e zás-trás resolveu o problema: acoplou um cano de chuveiro no toco do cabo que segurava a cobertura de pano. Daí, pegou um resto de cola dos tempos de escola e grudou uma rodinha-emperrada-de-cadeira-de-escritório na base. Agora sim, não havia mais perigo de escorregar da minha mão nem se eu comece sete pastéis.

No dia seguinte, voltou a chover. Dessa vez, chovia e fazia vento. Saquei meu guarda-chuva da bolsa e ele abriu num instante, sem cabo rolando sarjeta abaixo.
Chuá, chuá, chuá - chovia e dessa vez ventava sem parar. Eu mal conseguia andar. Na minha frente, duas amigas magricelas se seguravam num tronco de árvore lutando pra não serem levadas pela ventania.
Eu resisti o quanto pude. O céu foi testemunha que segurei o guarda-chuva com todas as minhas forças.
Mas um tremendo pé-de-vento bateu em minha direção fazendo a sombrinha voar rumo ao horizonte. Eu tentei correr para resgatá-la, mas o vento atrapalhava. Lembrei de quando eu era pequena e meus dedos engordurados de churros me impediam de segurar com firmeza os balões de hélio que desapareciam entre as nuvens.
Sorte que um pouco de cola usada para grudar a tal rodinha no cano, escorreu pra palma da minha mão e acabou fixando o cabo do guarda-chuva nela.
Bom, agora só preciso de umas varetas, de um mecanismo abre-e-fecha e de um tecido pra cobertura. O cabo do guarda-chuva eu já tenho...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Memórias de um fumante invertebrado (o diário de bordo de Aristides)

Estava cantando no chuveiro, me empolguei e bati a testa na saboneteira. Fui ao médico porque não aguentava de dor.
“Qual é seu problema, Aristides?”
“Doutor, minha cabeça dói, não para de lampejar”- e apontei com a mão direita pro lugar da batida.
Daí, o médico disse que o que eu tive foi apenas uma conclusão; nada demais. Mas reparou que eu tinha um cisco no pulso. E que ele podia tirar, se aquilo me incomodasse.
Lembrei do quanto era chato ter um cisco dentro do olho e então resolvi operar. Depois da recauchutagem, quis curtir a vida.
Mexi na minha poupança e viajei pra Itália.
Ao desbancar no aeroporto, chamei um táxi e pedi pro motorista me levar pra passear. Queria conhecer o Edna! No entanto, dei um azar danado porque justo naquele dia o vulcão entrou em eructação.
O taxista vendo aquelas chamas indecentes fazendo plop-plop-plop, deu no pé. Fiquei com medo de ser pego pelas larvas e corri o quanto pude! Meu santo é forte e eu consegui escapar.
Estava cansado de correr, quase colocando os bodes pra fora, quando passei em frente a um restaurante. Percebi que estava morrendo de fome. Entrei.
Antes de conseguir uma mesa, enfrentei uma fila enorme: tinha gente aos borboletões!
Finalmente sentei e falei comigo mesmo: “Depois de tudo o que passei, tenho direito ao prato mais caro. Hum, quero filhote de perdiz!” – e me esforcei pra fazer bonito, não errando no pedido.
“Amigo, por favor, um perdigoto!” – sorte que o garçom falava português.
“É pra já!”
Flupt! Voou direto no meu olho.
Peguei o guardanapo de pano, enxuguei o rosto, acendi um cigarro e pensei: “se eu quiser viver como um rei, terei que esperar a próxima encadernação!”

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Um discurso entupido


Engasgado(a): aquele, aquela ou aquilo que está cheio de gás em seu interior, como por exemplo um botijão, uma bexiga ou até mesmo uma barriga.
Ensinado: aquilo que está dentro do sino. sin. badalo.
Entrevado(a): 1. aquele ou aquela que vive em meio às trevas ou que está na escuridão. Ao acordar notou que estava levemente entrevado. 2. aquele ou aquela que se encontra perdido num campo de trevos.
Entupido(a): aglomeração de palavras numa mesma frase que têm sua origem na língua tupi. De tanto comer tapioca, amendoim e paçoca, o Curupira ficou entupido.

domingo, 19 de julho de 2009

Conversas no sótão


Pronto! Quem quiser ver uma foto mais recente minha e ainda conferir uma entrevista labiríntica ao Marcelo Maluf, aperta aqui!
O Marcelo também é escritor e recentemente organizou uma coletânea de contos muito bacana chamada, Era uma vez para sempre. Tem história de uma porção de gente bamba lá: Silvana Tavano, Valquíria Prates, do próprio Marcelo, Maria José Silveira, Índigo... Xi, são 20 autores - ah, incluindo uma jovem senhora chamada Tatiana Belinky...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Sai da frente!



A preciosidade imantada em questão estava outro dia grudada no portão de casa. Gostei do piloto fazendo a curva em alta velocidade com um botijão de gás na garupa (reparem). Um assassino - ou um suicida - em potencial.
Para preservar a identidade do artista gráfico - e preservar a vida de todos os motoristas e pedestres que estiverem no caminho do entregador - os números de telefone da distribuidora foram eliminados.
Coisas de São Paulo...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

A Árvore dos Desejos



O ano é 1927. O autor, William Faulkner. O livro, A Árvore dos Desejos.
E tudo vai muito bem até São Francisco aparecer na história. Digamos, que o santo não foi pintado de uma forma lá muito franciscana, uma vez que desdenha do velho Egbert e prende alguns passarinhos em gaiolas...
Mas, falando de coisas boas, o que vale muito a pena nesse lançamento da Cosac Naify (tradução Leonardo Fróes) é o projeto gráfico e as ilustrações do Guazzelli. Não é pra puxar sardinha pro meu lado – foi ele quem ilustrou o Acra de Eon – é que elas são surpreendentes mesmo. Bárbaras!
A Árvore dos Desejos é o único livro infanto-juvenil do escritor americano, Nobel de Literatura em 1949 e conhecido por obras como O Som e a Fúria e Palmeiras Selvagens.


terça-feira, 14 de julho de 2009

Cá estou!


Recebi reclamações de amigos e leitores que gostariam de ver uma foto minha aqui no blog. Pois aí vai:



Esta sou no Parque das Águas (São Lourenço - MG) em 80 ou 81. Um dos meus passatempos preferidos era ser hipnotizada por esse monjolo. De lá, também guardo o amargo gosto da água sulfurosa... Help!

Gostou, Claudinha ;)?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Entrevista

Queridos leitores,

Quem quiser ouvir minha voz de taquara rachada e pra completar, fanhosa de gripe, já está no ar a entrevista que concedi ao Oscar d'Ambrosio para o programa Perfil Literário da Rádio UNESP.
Para acessar, clique aqui!


Ai, que vergonha... Podem rir se quiser, fazer o que, né?



sexta-feira, 3 de julho de 2009

Trocando as bolas II

“Amigo, por gentileza, uma água atônita!” – foi assim que Aristides, fumante invertebrado, dirigiu-se ao garçom anteontem, no intervalo da final da Copa do Brasil.
Mas, afinal de contas, o que seria uma água atônita?
Aquela que além de incolor, inodora e insípida é ispantada, istupefata e ispavorida?
Talvez confundir as palavras esteja no sangue... Resta então tirar a prova, pesquisando na árvore ginecológica de Aristides.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Terror na roça


Muitos não sabem, mas muito antes da Índigo - tudo bem, abro aqui um espaço para divulgar a concorrência ;) – sonhar em se mudar para o meio do mato, eu já vivia na roça. Roça mesmo, em meio à natureza selvagem e à montanhas de esterco. Paraíso das Marias e dos Beneditos, onde Inezita Barroso é rainha e Mazzaropi, mais famoso do que Michael Jackson. Muito mais.
Lá, corajosamente enfrentei inúmeras espécies de aranhas, ataque de vespas, cobras, morcegos, cachorros com olhos vermelhos e risadas sombrias no meio da madrugada (tenho quase certeza de que era um Preto-Velho).
No entanto, nada disso foi páreo para o que aconteceu naquele início de tarde de domingo. Sem dúvida, um dos momentos mais assombrosos de toda a minha vida.
Eu escrevia na sala, concentrada, quando algo interrompeu minha atenção: os gatos estavam estranhos, com as pupilas dilatadas e as orelhas para trás (sinal de alerta!).
Hum, as vacas do vizinho arrebentaram a cerca de novo. Vacas! – pensei. O rebanho do vizinho adorava visitar a gente, mesmo sem ser convidado. Era comum acordar e dar de cara (literalmente) com uma Mimosa na janela do banheiro, por exemplo.
Voltei aos meus rabiscos. Mas os gatos continuavam assustados, mesmo sem ouvirmos barulho de nada. Fui olhar da janela da sala e ali estava: uma porca enorme e cor-de-rosa andava ao redor da casa.
“Ah, que graça, como ela simpática! Até parece que está sorrindo” – falei para o senhor Brioche.
No entanto, logo atrás de Miss Pig, vinha um porco cinza com o dobro do tamanho da esposa e mal-encarado que só ele.
Acostumados com vacas, bois e cavalos vendo televisão conosco, o que representava um casal de porcos passeando lá fora? Já era hora do almoço e os caldeirões e panelas estavam a toda no fogão. Oras, deixemos os porcos, vamos almoçar em paz.
De repente, um barulho estranho veio acompanhado de um tremor. Era a porta de aço da cozinha que começou a bater. Da janela, vimos o porco dando focinhadas na Sassazaki, à la Zidane naquela final de Copa do Mundo, em 2006.
E o bicho não parava, parecia furioso. A porta - de um aço não muito resistente - começou a entortar.
Pra onde correr? Não havia escapatória. Pensei em gritar, mas ninguém ia ouvir. Pensei em me trancar no quarto com os gatos e esperar a fera amansar. Pensei até em enfrentá-lo – quer dizer, mandar o Sr. Brioche enfrentá-lo -, mas o bicho parecia ter o tamanho de um hipopótamo!
Então, fiz a melhor coisa que eu poderia naquela hora: rezar!
E não é que deu certo? Miss Pig provavelmente cutucou o marido e falou: “Vamos, bem, deixa pra lá!”
Ficamos pensando o que teria levado aquele casal a tentar arrombar a casa: vai ver eles sentiram o cheiro do almoço e resolveram filar uma bóia; vai ver estavam apenas sondando o território.
O porcão nunca mais voltou lá, já Miss Pig...
Pouco tempo depois, fugiu pela segunda vez do sítio vizinho pra dar cria debaixo duma bananeira, perto da porta da cozinha.

Essa é uma história real; por incrível que pareça, a única parte inventada é a do cachorro com olhos vermelhos.